Máscara roxa: campanha permite que mulheres denunciem em farmácias casos de violência

Desde o início do período de distanciamento social devido à pandemia de coronavírus, autoridades da área da segurança já alertavam para uma dificuldade no combate à violência contra a mulher. Muitas passaram a ficar mais tempo em casa, perto dos principais agressores, dificultando ainda mais com que fizessem denúncias à polícia.

Para que a campanha “Máscara Roxa” ganhe força também em Santo Antônio da Patrulha, no uso da tribuna desta segunda-feira (29), na 20ª Reunião Ordinária da Câmara, Marcelo Gaúcho encaminhou o requerimento nº 261/2020 ao Prefeito Daiçon Maciel da Silva, com o objetivo de fazer com que mulheres vítimas de violência possam denunciar em farmácias, de forma discreta, casos de agressões.

Funcionará da seguinte forma: a mulher vítima de agressão procurará uma farmácia que tenha o selo “Farmácia amiga das mulheres” e pedirá uma máscara roxa, como se tivesse a intenção de se proteger do coronavírus. O atendente, já treinado, dirá que o produto está em falta, mas pedirá quatro informações para avisar sobre a chegada do equipamento de proteção: nome, endereço e dois telefones. Imediatamente após a coleta dos dados, as informações serão repassadas para um número de whatsapp, iniciando uma investigação em qualquer município do Estado. O whatsapp, como exemplo, é sugerido porque é um canal disponível para todo o Estado, silencioso. Basta que o farmacêutico digite os dados da vítima, adotando o código de “Máscara Roxa”. A campanha tem apoio de órgãos da segurança, governo gaúcho, judiciário e entidades vinculadas à pauta das mulheres.

Em abril, primeiro mês completo de distanciamento social no Rio Grande do Sul, o número de feminicídios cresceu 66,7%. Foram 16 mulheres assassinadas por questões de gênero no período, contra seis no mesmo período de 2019.

A cidade de Venâncio Aires foi a primeira a registrar denuncias de violência doméstica a partir da Máscara Roxa.  A informação foi divulgada pelo presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (COMDIM), Jalila Stahl Bohn Heinemann, lançada no inicio deste mês.

Por conta destes números, Marcelo acredita na relevância da campanha. “É Importante que as mulheres denunciem. Não tenham medo dos seus parceiros, pois esta é uma situação muito triste e pode levar a situações ainda mais sérias, como o feminicídio”. Destacou Gaúcho.